Aspectos
Clínicos e Epidemiológicos:
DESCRIÇÃO: Doença sistêmica bacteriana, com
quadro clínico muito polimorfo. Seu inicio pode ser agudo ou insidioso,
caracterizado por febre contínua, intermitente ou irregular, de duração
variável. Um sintoma quase constante é a astenia e qualquer exercício físico
produz pronunciada fadiga, acompanhada de mal-estar, cefaleia, debilidades,
suor profuso, calafrios, artralgia, estado depressivo e perda de peso. Em
alguns casos pode haver supurações de órgãos, como o fígado e baço.
SINONÍMIA:
Febre ondulante, febre de Malta, febre do
mediterrâneo, doença das mil faces ou melitococia.
AGENTE ETIOLÓGICO: Brucella
melitensis, biótipos 1
e 3; Brucella suis, biótipos 1 e 5; Brucella abortus, biótipos 1, 6 e 9; Brucella canis. No Brasil, a maioria dos
quadros de Brucelose esta associada à infecção por B. abortus.
RESERVATÓRIOS: Gado bovino, suíno, ovino,
caprino e outros animais, como cães.
MODO
DE TRANSMISSÃO: Contato com tecidos, sangue, urina, secreções vaginais,
fetos abortados, placenta (grande fonte de infecção), ingestão de leite cru e
derivados provenientes de animais infectados, acidentes em laboratórios e da
pratica vacinal.
O queijo principalmente fresco, feito
artesanalmente a partir de leite não pasteurizado é uma fonte importante da
doença.
OBS: não se
transmite de pessoa a pessoa
COMPLICAÇÕES: Encefalites, meningites, neurites
periféricas, artrite supurativa, endocardite vegetativa e endocardite
bacteriana subaguda, que, se não diagnosticada e tratada, pode levar a óbito.
Ocorrem também infecções do aparelho geniturinário, podendo ocasionar redução
da potência sexual.
DIAGNÓSTICO: Suspeita clínica aliada à
historia epidemiológica de ingesta de produtos animais contaminados mal
cozidos, não pasteurizados ou esterilizados. A confirmação diagnostica se faz
através da cultura de sangue, medula óssea, tecidos ou secreções do paciente.
As provas sorológicas devem ser realizadas com soros pareados em laboratórios
com experiência e em soros pareados para se observar a elevação dos anticorpos.
TRATAMENTO:
Antibioticoterapia, sendo a droga de escolha a
Doxiciclina (200 mg/dia), em combinação com a Rifampicina (600 a 900 mg/dia),
durante 6 semanas. Se houver recidivas, repetir o tratamento, porque, em geral,
não se deve à resistência aos antibióticos e sim a sequestro dos agentes por
algum órgão que não permite a ação da droga. Não usar a Doxiciclina em menores
de 7 anos. Sulfametoxazol e Trimetoprim podem ser associados à Gentamicina,
nesses casos.
MEDIDAS DE CONTROLE:
- Educação
em saúde: Informar a população para consumir leite e outros derivados
devidamente pasteurizados e/ou fervidos; Educar os trabalhadores que cuidam de
animais sobre riscos da doença e sobre os cuidados (incluindo o equipamento de
proteção individual) para evitar o contato com animais doentes ou
potencialmente contaminados.
- Controle
sanitário animal: Realizar provas sorológicas e eliminar os animais infectados.
Cuidados no manejo para eliminação de placentas, secreções e fetos dos animais.
- Inspeção
sanitária de produtos: Atuação dos órgãos de fiscalização agropecuária na
inspeção de produtos de origem animal, como leite e seus derivados.
Desinfecções das áreas contaminadas.
- Manejo dos
pacientes: Ter precauções com o material de drenagens e secreções. Realizar a
desinfecção concorrente das secreções purulentas. Investigar os contatos para
tratamento e controle. Investigar as fontes de infecção para adoção de medidas
de prevenção. Confiscar os alimentos
suspeitos ate que sejam instituídas as medidas de prevenção definitivas.
A vacinação dos bovinos é um método eficaz na
prevenção da Brucelose.



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