sexta-feira, 28 de junho de 2013

BRUCELOSE



Aspectos Clínicos e Epidemiológicos:

DESCRIÇÃO: Doença sistêmica bacteriana, com quadro clínico muito polimorfo. Seu inicio pode ser agudo ou insidioso, caracterizado por febre contínua, intermitente ou irregular, de duração variável. Um sintoma quase constante é a astenia e qualquer exercício físico produz pronunciada fadiga, acompanhada de mal-estar, cefaleia, debilidades, suor profuso, calafrios, artralgia, estado depressivo e perda de peso. Em alguns casos pode haver supurações de órgãos, como o fígado e baço.

SINONÍMIA: Febre ondulante, febre de Malta, febre do mediterrâneo, doença das mil faces ou melitococia.


AGENTE ETIOLÓGICO: Brucella melitensis, biótipos 1 e 3; Brucella suis, biótipos 1 e 5; Brucella abortus, biótipos 1, 6 e 9; Brucella canis. No Brasil, a maioria dos quadros de Brucelose esta associada à infecção por B. abortus.

RESERVATÓRIOS: Gado bovino, suíno, ovino, caprino e outros animais, como cães.

MODO DE TRANSMISSÃO: Contato com tecidos, sangue, urina, secreções vaginais, fetos abortados, placenta (grande fonte de infecção), ingestão de leite cru e derivados provenientes de animais infectados, acidentes em laboratórios e da pratica vacinal.




O queijo principalmente fresco, feito artesanalmente a partir de leite não pasteurizado é uma fonte importante da doença.



OBS: não se transmite de pessoa a pessoa


COMPLICAÇÕES: Encefalites, meningites, neurites periféricas, artrite supurativa, endocardite vegetativa e endocardite bacteriana subaguda, que, se não diagnosticada e tratada, pode levar a óbito. Ocorrem também infecções do aparelho geniturinário, podendo ocasionar redução da potência sexual.

DIAGNÓSTICO: Suspeita clínica aliada à historia epidemiológica de ingesta de produtos animais contaminados mal cozidos, não pasteurizados ou esterilizados. A confirmação diagnostica se faz através da cultura de sangue, medula óssea, tecidos ou secreções do paciente. As provas sorológicas devem ser realizadas com soros pareados em laboratórios com experiência e em soros pareados para se observar a elevação dos anticorpos.

TRATAMENTO: Antibioticoterapia, sendo a droga de escolha a Doxiciclina (200 mg/dia), em combinação com a Rifampicina (600 a 900 mg/dia), durante 6 semanas. Se houver recidivas, repetir o tratamento, porque, em geral, não se deve à resistência aos antibióticos e sim a sequestro dos agentes por algum órgão que não permite a ação da droga. Não usar a Doxiciclina em menores de 7 anos. Sulfametoxazol e Trimetoprim podem ser associados à Gentamicina, nesses casos.




MEDIDAS DE CONTROLE:
- Educação em saúde: Informar a população para consumir leite e outros derivados devidamente pasteurizados e/ou fervidos; Educar os trabalhadores que cuidam de animais sobre riscos da doença e sobre os cuidados (incluindo o equipamento de proteção individual) para evitar o contato com animais doentes ou potencialmente contaminados.

- Controle sanitário animal: Realizar provas sorológicas e eliminar os animais infectados. Cuidados no manejo para eliminação de placentas, secreções e fetos dos animais.
- Inspeção sanitária de produtos: Atuação dos órgãos de fiscalização agropecuária na inspeção de produtos de origem animal, como leite e seus derivados. Desinfecções das áreas contaminadas.

- Manejo dos pacientes: Ter precauções com o material de drenagens e secreções. Realizar a desinfecção concorrente das secreções purulentas. Investigar os contatos para tratamento e controle. Investigar as fontes de infecção para adoção de medidas de prevenção.  Confiscar os alimentos suspeitos ate que sejam instituídas as medidas de prevenção definitivas.


A vacinação dos bovinos é um método eficaz na prevenção da Brucelose.

 


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