domingo, 30 de junho de 2013

Meningite por Haemophilus influenzae



Infecção bacteriana aguda das meninges. É uma das formas mais graves de doença invasiva causada pelo Haemophilus influenzae, sendo mais comum na 1ª infância. Início geralmente súbito, com febre, cefaléia intensa, náuseas, vômitos e rigidez de nuca, aos quais se associam os sinais de irritação meníngea.

                               

Agente etiológico
Haemophilus influenzae do tipo b é o mais freqüente, podendo entretanto ocorrer meningite por outros sorotipos, a exemplo de (a, c, d, e, f). É um bacilo gram negativo, imóvel, capsulado, pleomórfico.
Habitat
O homem doente ou portador sadio.
Transmissão
Pelo contato direto pessoa a pessoa, doente ou portadora, através da via respiratória.
Período de incubação
Provavelmente curto, de 2 a 4 dias.
Período de transmissibilidade
Enquanto houver microorganismo na nasofaringe, geralmente até 24/48 horas após o início da terapêutica com antibiótico.
Complicações
As principais complicações são: perda da audição, distúrbio de linguagem, retardo mental, anormalidade motora e distúrbios visuais.
Diagnóstico
Clínico e laboratorial. O principal exame laboratorial é o do Líquido Céfalo Raquidiano.
Tratamento
Cloranfenicol, na dose 75 a 100mg/kg/dia.
Medidas de controle
A quimioprofilaxia está indicada para: A vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib) apresenta alta eficácia quando aplicada no esquema preconizado. As contra-indicações gerais como doenças graves ou relato de ocorrência de reação anafilática sistêmica após aplicação de dose.
           


LEPTOSPIROSE

Doença infecciosa aguda com envolvimento sistêmico e de caráter endêmico, podendo
se apresentar na forma epidêmica sob determinadas condições. A infecção pode ser assintomática, sub-clínica ou ocasionar quadros clínicos graves, anictéricos ou ictéricos com alta letalidade.
 a) Fase septicêmica - Caracterizada por hepatomegalia e, mais raramente, esplenomegalia,
hemorragia digestiva, mialgia que envolve panturrilhas, coxa, abdômen e musculatura paravertebral, fotofobia, dor torácica, tosse seca, com ou sem hemoptóicos, exantemas maculares, máculo-papulares, urticariformes ou petéquias, hiperemia de mucosas com duração de 4 a 7 dias;
b)Fase imune - Quando há cefaléia intensa, vômitos e sinais de irritação meníngea, uveíte, com duração de 1 a 3 semanas. A forma ictérica, Doença de Weil, evolui com insuficiência renal, fenômenos hemorrágicos e alterações hemodinâmicas. Sintomas mais intensos que a forma anictérica, com duração de 1 a 3 semanas, com taxas de letalidade de 5 a 20%.
Conhecida também como Febre dos pântanos, febre outonal, febre dos sete dias, doença dos porqueiros, tifo canino.

Agente etiológico
Bactéria helicoidal (espiroqueta) aeróbica obrigatória do gênero Leptospira, do qual se conhecem atualmente sete espécies patogênicas, sendo a mais importante a L. interrogans.

Habitat
Os roedores são os principais reservatórios da doença, principalmente os
domésticos; dentre os animais domésticos, atuam também como portadores
os cães, bovinos, suínos, ovinos, caprinos e equinos.
Modo de transmissão
Pelo contato com água ou solo contaminados pela urina dos animais portadores,
principalmente de roedores, e mais raramente pelo contato direto
com sangue, tecido, órgão e urina de animais infectados.
 


Período de incubação
Variável de 24 horas a 30 dias, numa média de 7 a 14 dias.
Período de transmissibilidade
Dura enquanto a leptospira estiver na urina da pessoa ou animal. Nos animais,
pode durar meses, anos ou por toda a vida, dependendo da espécie
infectada. É rara a infecção inter-humana.
Complicações
Hemorragia digestiva e pulmonar maciça, pneumonia intersticial, insuficiência
renal aguda, distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico e ácidobásico,
colapso cardiocirculatório, insuficiência cardíaca congestiva, com
falência de múltiplos órgãos e morte.
Diagnóstico
Clínico-epidemiológico e laboratorial.
Tratamento
Penicilina G cristalina é a droga de escolha, em 4 doses diárias, por 7 a 10 dias. O tratamento deve ser administrado
até ou após o 5o dia de doença, pois, mesmo quando iniciado mais tarde, pode alterar a evolução dos casos graves. Medidas de controle
Assistência médica adequada e oportuna ao paciente; detecção de áreas de risco a serem desencadeadas
ações de controle; proteção à população; controle de roedores; Imunização de animais domésticos.

LEISHMANIOSE VISERAL



As manifestações clínicas da leishmaniose visceral (LV) refletem o desequilíbrio entre a multiplicação dos parasitos nas células do sistema fagocítico mononuclear (SFM), a resposta imunitária do indivíduo e ao processo inflamatório subjacente. Considerando a evolução clínica desta endemia, optou-se em dividi-la em períodos, devendo ser classificada da seguinte forma:
Período Inicial - É caracterizada pelo início da sintomatologia, podendo variar a cada paciente, mas na maioria dos casos inclui febre com duração inferior a quatro semanas, palidez cutâneo mucosa, hepatoesplenomegalia.
Período de Estado - Caracterizado por febre irregular, associada ao emagrecimento progressivo, palidez cutâneo-mucosa e hepatoesplenomegalia. Apresenta quadro clínico arrastado, com mais de dois meses de evolução e muitas vezes com comprometimento do estado geral. Os exames complementares estão alterados e no exame sorológico, os títulos de anticorpos específicos anti-Leishmania são elevados.
Período Final - Febre contínua e comprometimento intenso do estado geral. Instala-se a desnutrição, edema dos membros inferiores, hemorragias, icterícia e ascite. Os exames complementares estão alterados e no exame sorológico, os títulos de anticorpos específicos anti- Leishmania são elevados.
Também conhecida como Calazar, Febre Dundun, Doença do Cachorro.

Agente etiológico
Protozoário do gênero Leishmania, espécie Leishmania chagasi. Apresenta duas formas: amastigota (intracelular em vertebrados) e promastígota (tubo digestivo dos vetores invertebrados).

Habitat
Cão (Canis familiaris), marsupiais (Dedelphis mucura), a raposa (Cerdocion tolos), que agem como mantenedores do ciclo da doença. Interroga-se na LV se o homem também pode ser fonte de infecção.
 


Modo de transmissão
Transmitida através da picada da fêmea de insetos flebotomíneos da espécie Lutzomia longipalpis. Não há transmissão pessoa a pessoa, nem animal a animal.
Período de incubação
Varia de 10 dias a 24 meses, sendo, em média, 2 a 6 meses.

Período de transmissibilidade
O vetor poderá se infectar enquanto persistir o parasitismo na pele ou no sangue circulante dos animais reservatórios.

Complicações
Várias complicações são citadas e as mais freqüentes são as otites, piodermites,
afecções pleuropulmonares geralmente precedidas de bronquites, traqueobronquites agudas, infeção urinária, complicações intestinais; hemorragias, anemia aguda. Estas complicações podem levar o paciente ao óbito.

Diagnóstico
Clínico-epidemiológico e laboratorial. Esse último baseia-se em: a) Exame sorológico, b) Parasitológico, c) Exames inespecíficos – Hemograma e Dosagem de proteínas.

Tratamento
A primeira escolha são os antimoniais pentavalentes (antimoniato de Nmetil-glucamina), na dose 20mg/Kg/dia.
Em gestantes a anfotericina b é a droga indicada para o tratamento.
Contra-indicações - As drogas não podem ser administradas em portadores de cardiopatias, nefropatias, hepatopatias, doença de Chagas. Em gestantes recomenda-se não utilizar o antimoniato de N-metil glucamina.

Medidas Preventivas
Estimular as medidas de proteção individual, tais como uso de repelentes, uso de mosquiteiros; Saneamento Ambiental; Controle da população canina errante; Organização de serviços de saúde para atendimento precoce dos pacientes, visando diagnóstico, tratamento adequado e acompanhamento dos pacientes.